11.9.09

O triunfo dos porcos



Jerónimo de Sousa declarou que as maiorias absolutas levam os eleitos a trair a confiança do povo.

Sendo embora o líder do PCP aquele a quem, com maior despreocupação,compraria um carro em segunda mão, sempre lhe devo recordar que há muitas formas de trair a confiança do povo.

10.9.09

Ai não é costume discutirem?



"O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, revelou hoje que os participantes na reunião efectuada terça-feira na Ordem dos Advogados, em Lisboa, vão propor ao futuro Governo"... (rufam os tambores!!) ..."que as principais leis sejam previamente discutidas com aqueles que as aplicam." in, Público

9.9.09

Coisas minhas

Eu acho que devia ser proibido publicar sondagens em período eleitoral.

Está demonstrada a sua pouca fiabilidade e, assim sendo, interpreto a forma como se multiplicam, quase diariamente, como um serviço a interesses de que desconfio.

8.9.09

República 2.0



A estimulante proposta do CNJ, nas palavras do seu Presidente - Tiago Soares, homem simples, correcto e honesto.

Estou maravilhado



Estou maravilhado. O dr. Carlos Encarnação, candidato com amor à câmara de Coimbra, apresentou um plano estratégico às almas da cidade. Almas santas que, certamente, estão tão maravilhadas como eu.

Eu, que sou um rapaz respeitador e justo, já esperava que o documento fosse um exercício económico – filosófico até – de enorme fôlego. Mas nem a mim, que sou um crente, passaria pela cabeça que o dito Plano (com maiúscula) pudesse ir tão longe. Abençoadas cabeças, abençoado presidente e abençoado orçamento municipal, abençoados todos por proporcionarem à cidade conclusões tão estimulantes e inovadoras: Coimbra há-de ser um “cluster” da saúde, que será um “projecto estruturante”; e há-de ser, imagine-se (como é que se foram lembrar disto!), um “pólo de excelência da ciência, educação e investigação”.

De hoje em diante, podemos passar a dormir descansados. E recolhidos nos braços de Morfeu, podemos agora abandonar sonhos antigos, antiquados talvez, como os de haver emprego em Coimbra, gente na Baixa e ambição na Câmara Municipal. Podemos, finalmente, virar a página porque, apresentado o Plano, dedicaremos as noites a sonhar com coisas mais “estruturantes” e podemos até, nos momentos de angústia, contar “clusters” para adormecer. O que é mais saudável (note-se a subliminar alusão à saúde) do que matar os nervos a comer aqueles cereais com um esquilo na caixa, que também se chamam “clusters”, mas que o orçamento municipal não patrocina.

E podemos dormir descansados, também, porque não temos um presidente de Câmara precipitado. O que, certamente, lhe vem do tempo em que convivia com o professor Cavaco Silva. Este, nunca se engana e raramente tem dúvidas. Aquele, o dr. Encarnação, espera o tempo que for preciso para não se enganar e dissipar as dúvidas. Oito anos, bem contadinhos, foi quanto demorou a apresentar o tonitruante plano estratégico. Mas ao menos apresentou uma coisa como deve ser. E a partir de agora vai ser sempre a subir, como naquela música antiga da Manuela Moura Guedes, que ainda se há-de exilar na Argélia, em nome do jornalismo livre e independente.

Para que não me acusem de andar sempre a gozar com isto, aqui vai uma declaração séria, daquelas que encaixam na ortodoxia dominante: este plano, sendo estratégico, não é bem um plano. É antes um pano. Escuro. Onde não cairá a nódoa, porque já é uma nódoa.

5.9.09

Ursos?!



Com a devida vénia ao Urso Maior, na terça-feira vou publicar umas coisas no JN, sobre este assunto.

1.9.09

Clareza




A propósito de uniões de facto, Henrique Monteiro escreveu no último editorial do Expresso, mais ou menos, o seguinte: pretender dar a quem não assinou um contrato, os direitos e os deveres daqueles que o assinaram é uma aberração. Ou seja, quem quer casar, que se case, quem não quer, o que é inteiramente compreensível, pois que passe bem assim. Se não passar, pois que case e, eventualmente, volte a descasar. A ideia, no fundo, é simples: quem quer compromisso, que o assuma como uma pessoa crescida. E se esta simplicidade toda não se verifica para os casais homossexuais, discutamos o assunto de frente e deixemo-nos de histórias. De acordo.

Mas a verdade é que nada disto me interessaria tanto se não fossem as recentes declarações de Paulo Mota Pinto ou, noutro sentido, de Rodrigo Santiago. Se não fossem os dois de Coimbra. E se – mais um do que outro, é certo – não tivessem projectado a ideia de um bloco central, de uma fórmula apartidária, suprapartidária ou mesmo divina de governação. O que seria a institucionalização, desnecessária quanto a mim, de uma união de facto.

É verdade que o PS e o PSD estão unidos de facto, há muitos anos, naquilo a que se vem chamando o arco da governação. Simplesmente, se querem governar juntos, que se apresentem juntos a votos. É aqui que discordo do cabeça-de-lista do PSD pelo círculo de Coimbra, quando não exclui cenários de coligação: os resultados eleitorais não são meros ingredientes que permitam todos os temperos, em todos os cozinhados. E julgo que iguarias tipo “sardinha assada com café com leite” são dispensáveis à mesa de qualquer português médio.

De um modo diferente, ao dizer que a ideologia não tem cabimento na política autárquica, Rodrigo Santiago acaba por trilhar um caminho semelhante. O candidato à Assembleia Municipal de Coimbra mata a ideologia na política local e acaba por ser cúmplice do mesmo crime na política nacional. Para o efeito de negar diferentes concepções de Estado, cidadão e sociedade, defender um bloco central ou enforcar a ideologia nos Paços do Concelho, é rigorosamente a mesma coisa.

Ao contrário do que pensa o PSD de Paulo Mota Pinto ou a candidatura de Pina Prata, em Coimbra faz diferença um presidente de Câmara que promova o emprego, ao invés de reservar esse papel para o mercado. Faz diferença combater a insegurança na Baixa com um casse-tête ou procurar as razões profundas, sociais, urbanísticas, na origem do problema. Faz diferença dar espaço a uma política cultural que nos eleve, no lugar de sustentar um folclore que nos entretenha. Enfim, como na história das uniões de facto, é preciso haver clareza.